Conceição
Aparecida
Fornasari*
O
grau
de
emancipação
feminina
determina
naturalmente
a
emancipação
geral.
(Marx)
Não
se
pode
assegurar
a
verdadeira
liberdade,
não
se
pode
edificar
a
democracia...
se
não
chamarmos
as
mulheres.
(Lênin)
No
espaço
pequeno
deste
artigo,
que
espero
tornar-se
gigante
em
homenagear
as
mulheres
valorosas
que
embalam
seus
filhos
e
acreditam
na
luta
em
defesa
da
igualdade
de
gênero
e
de
classe,
e
que
sobremaneira
se
indignam
com
a
violência,
a
exclusão,
o
individualismo,
a
miséria,
a
guerra
e
a
barbárie.
Milhares
de
mulheres
já
combateram
a
exploração
capitalista
e
a
opressão
de
gênero,
muitas
vezes
sendo
ainda
mais
discriminadas
e
perseguidas
pela
coragem
de
romper
com
o
status
quo
vigente,
herdado
do
patriarcalismo/machismo,
que
teima
em
"naturalizar"
toda
sorte
de
dominação,
de
desigualdade,
inferioridade,
submissão,
discriminação
e
intolerância.
O
8
de
Março
encerra
vários
sentidos,
sempre
como
um
tempo
de
recordar
e
se
mirar
nessas
mulheres
das
fábricas,
dos
escritórios,
das
artes,
das
ciências,
do
lar,
de
diferentes
ofícios
e
lides
para
avançar
nas
conquistas.
O
ingresso
das
mulheres
no
mercado
de
trabalho
deu-se
sem
regulamentação
alguma,
reportando-nos
à
própria
origem
da
data,
quer
a
entendamos
como
o
bárbaro
assassinato
de
129
mulheres
em
greve,
pela
redução
da
jornada
de
trabalho,
em
1857,
ou
de
um
incêndio
em
uma
indústria
de
confecções,
provocado
pelas
péssimas
condições
de
trabalho.
Em
1910,
durante
a
2º
Conferência
Internacional
das
Mulheres
Socialistas,
realizada
em
Copenhague,
a
revolucionária
Clara
Zetkin
propôs
a
criação
de
um
Dia
Internacional
da
Mulher
para
o
dia
8
de
março
que
se
consolidou
como
dia
de
comemoração
e
luta.
Em
2010
chegamos
ao
centenário
da
definição
desta
data.
Inúmeras
e
importantes
vitórias
foram
conseguidas,
tais
como:
o
direito
ao
voto
nos
anos
de
1930-
ainda
somos
apenas
8,8%
da
Assembléia
Legislativa
e
apenas
02
Ministras
de
Estado
;
a
licença
maternidade-
mas
a
ampliação
para
06
meses
ainda
é
restrita;
o
novo
Código
Civil,
o
direito
a
posse
da
terra
em
nome
da
mulher
rural,
da
mesma
forma
a
posse
da
casa
própria,
a
lei
Maria
da
Penha-
para
fazer
frente
à
violência
doméstica,
que
continua
a
agredir
e
matar.
Entretanto,
apesar
da
elevação
do
nível
de
escolaridade-
somos
52%
no
ensino
superior,
a
proibição
da
discriminação
sexual
no
trabalho
e
do
vigoroso
papel
feminino
no
mercado
de
trabalho
-
a
desigualdade
salarial
chega
ainda
a
quase
30%
em
alguns
setores,
54%
permanecem
sem
carteira
assinada,
a
dupla
jornada
-
o
trabalho
doméstico
persiste
em
ser
tarefa
feminina;
o
assédio
moral
-
principalmente
entre
as
grávidas
e
as
jovens
mães;
a
violência
sexual,
a
violência
doméstica
e
social,
ainda
são
marcas
indeléveis
na
vida
das
mulheres,
demonstrando
à
necessidade
de
dar
visibilidade
às
nossas
bandeiras
e
organizações.
Em
2010,
centenário
da
comemoração
do
dia
Internacional
da
Mulher,
quando
pela
primeira
vez
há
a
possibilidade
de
uma
mulher
vir
a
ser
Presidenta
da
República
temos
que
reforçar
algumas
bandeiras
como
a
da
redução
da
jornada
de
trabalho
sem
redução
de
salários,
a
reforma
agrária,
a
ampliação
do
direito
á
saúde,
o
combate
á
violência
com
a
efetiva
aplicação
da
Lei
Maria
da
Penha,
a
melhoria
da
educação
pública,
a
defesa
do
Programa
Nacional
dos
direitos
humanos.
Ainda
garantir
a
manutenção
e
ampliação
das
políticas
públicas
que
contribuam
para
romper
com
as
desigualdades
e
que
incluam
medidas
que
melhorem
a
vida
cotidiana
das
mulheres
e
famílias,
como
equipamentos
sociais:
creches,
lavanderias
coletivas,
áreas
de
lazer
e
atividades
culturais,
universalização
do
saneamento
básico,
política
de
segurança,
para
melhorar
a
qualidade
de
vida
de
todos.
O
projeto
nacional
de
desenvolvimento
tão
caro
para
o
povo
brasileiro
deve
passar
necessariamente
pela
questão
de
gênero,
entendida
como
a
construção
cultural,
histórica
do
papel
e
do
valor
das
mulheres.
Às
professoras
e
aos
professores
cabe
um
papel
primordial
de
educar
as
novas
gerações
livres
do
mandonismo
e
da
subjugação
de
gênero
e
de
qualquer
espécie.
Pela
participação
política
das
mulheres!
Viva
o
centenário
do
8
de
março
e
vivam
as
mulheres
de
todos
os
tempos
que
contribuíram
para
tornar
o
mundo
humano!
No espaço pequeno deste artigo, que espero tornar-se gigante em homenagear as mulheres valorosas que
Fetivesp - Federação dos Trabalhadores nas Industrias do Vestuário no Estado de São Paulo