Por
Mário
Augusto
Jakobskind*,
No
Correio
do
Brasil
A
República
Bolivariana
da
Venezuela
segue
na
ordem
do
dia
da
mídia.
Quem
acompanha
o
noticiário
diário
das
TVs
brasileiras
e
alguns
dos
jornalões
tem
a
impressão
que
o
país
está
à
beira
do
caos
e
por
lá
vigora
a
mais
ferrenha
obstrução
aos
órgãos
de
imprensa
privados.
Mas
há
quem
não
tenha
essa
leitura
sobre
o
país
vizinho,
que
no
próximo
mês
de
setembro
elegerá
os
integrantes
da
Assembléia
Nacional.
José
Gregorio
Nieves,
secretário
da
organização
não-governamental
Jornalistas
pela
Verdade,
informou
recentemente
a
representantes
da
União
Européia
que
circularam
em
Caracas
que
nos
últimos
11
anos,
correspondente
exatamente
à
ascensão
do
presidente
Hugo
Chávez,
houve
um
avanço
na
democratização
da
comunicação
na
Venezuela.
Ele
baseia
as
suas
informações
Houve,
inclusive,
um
aumento
da
democratização
do
acesso
aos
meios
de
comunicação.
Até
1998,
ou
seja,
no
período
em
que
a
Venezuela
era
governada
em
revezamento,
ora
pela
Ação
Democrática
(linha
social-democrata),
ora
pela
Copei
(linha
social
cristã),
não
havia
permissão
para
o
funcionamento
de
veículos
comunitários.
No
país
existiam
apenas
33
radiodifusores
privados
e
11
públicos,
todos
eles
avaliados
pela
Comissão
Nacional
de
Telecomunicações
(Conatel).
Que
seja
ouvido
o
outro
lado
Hoje,
ainda
segundo
informação
prestada
por
Nieves
a
representantes
da
UE,
as
concessões
privadas
em
FM
chegam
a
471
emissoras,
sendo
245
comunitárias
e
82
de
caráter
público.
Na
área
da
televisão,
o
total
de
canais
abertos
privados
até
1998
era
de
31
particulares
e
oito
públicos.
Atualmente,
a
Conatel
concedeu
concessões
a
65
canais
privados,
37
comunitários
e
12
públicos.
A
lógica
desses
números
contradiz,
na
prática,
a
campanha
midiática
de
denúncia
de
falta
de
liberdade
de
imprensa.
Seria
pouco
lógico
que
num
período
em
que
aumentaram
as
concessão
de
rádio
e
TV
para
a
área
privada
o
governo
restringisse
os
passos
das
referidas
empresas.
O
secretário
de
organização
dos
Jornalistas
pela
Verdade
informou
ainda
que
a
Lei
de
Responsabilidade
Social
no
Rádio
e
Televisão
permitiu
o
fortalecimento
dos
produtores
nacionais
independentes.
Nieves
fez
questão
de
assinalar
que
a
ONG
que
ele
representa
rejeita
a
manipulação
contra
o
governo
bolivariano
que
ocorre
em
âmbito
da
UE
e
em
outros
fóruns.
É
importante
que
os
leitores
e
telespectadores
brasileiros
tenham
acesso
a
outros
canais
de
informação
e
não
aos
de
sempre,
apresentados
diariamente
pelos
grandes
meios
de
comunicação
vinculados
à
Sociedade
Interamericana
de
Imprensa
(SIP).
Em
outros
termos:
que
seja
ouvido
o
outro
lado,
para
que
não
prevaleça,
como
tem
acontecido,
o
esquema
do
pensamento
único.
RCTV
é
confirmada
como
produtora
nacional
Para
se
ter
uma
idéia
de
como
funciona
o
mecanismo
do
pensamento
único,
no
próximo
dia
1º
de
março,
O
Instituto
Millenium
é
dirigido,
segundo
informa
o
jornal
Brasil
de
Fato,
por
Patrícia
Carlos
de
Andrade,
ex-mulher
do
ex-diretor
do
Banco
Central
no
período
FHC,
Armínio
Fraga,
e
filha
do
falecido
jornalista
Evandro
Carlos
de
Andrade,
que
a
partir
de
1995
coordenou
a
Central
Globo
de
Jornalismo.
Os
mediadores
do
seminário
serão
três
profissionais
de
imprensa
das
Organizações
Globo:
o
diretor
Luís
Erlanger,
o
repórter
Tonico
Pereira
e
o
âncora
William
Waack.
Já
se
pode
imaginar
o
tipo
de
crítica
ao
governo
venezuelano
que
vem
por
aí.
Vão
lamentar
a
suspensão
de
seis
emissoras
de
TV
a
cabo,
mas
provavelmente
deixarão
de
mencionar,
como
tem
feito
a
mídia
conservadora,
que
cinco
desses
canais
já
retornaram
ao
ar
porque
deram
as
informações
necessárias
solicitadas
pela
Conatel.
Quanto
à
RCTV,
que
se
julga
internacional,
a
Conatel
confirmou
a
classificação
do
canal
de
TV
a
cabo
como
produtora
nacional,
o
que
conseqüentemente
a
obriga
a
acatar
as
leis
do
país.
Se
fizer
isso,
poderá
voltar
ao
ar.
Se
não
o
fizer,
Marcel
Garnier
continuará
circulando
por
países
da
América
Latina
para
denunciar
a
"falta
de
liberdade
de
imprensa
no
país
de
Chávez".
Sem
contraponto
Ah,
sim:
nestes
dias,
o
governo
do
Uruguai,
cujo
presidente,
Tabaré
Vázquez,
encerra
o
mandato
na
mesma
data
do
seminário
promovido
pelo
Instituto
Millenium,
anunciou
que
vai
punir
dezenas
de
emissoras
de
rádio
que
se
recusaram
a
entrar
na
cadeia
nacional
obrigatória
em
que
o
chefe
do
Executivo
uruguaio
informava
a
população
sobre
questões
relacionadas
aos
direitos
humanos.
Os
jornalões
e
as
TVs
brasileiros
não
deram
uma
linha
sobre
o
fato,
ao
contrário
do
que
aconteceu
quando
a
Comissão
Nacional
de
Telecomunicações
(Conatel)
da
Venezuela
decidiu
suspender
emissoras
de
rádio
que
estavam
em
situação
irregular.
Por
estas
e
muitas
outras
é
que
os
leitores
e
telespectadores
brasileiros
e
da
América
Latina
de
um
modo
geral
recebem
informações
sobre
a
Venezuela
apenas
com
base
do
que
dizem
os
inimigos
da
Revolução
Bolivariana.
Não
há
contraponto.
Fetivesp - Federação dos Trabalhadores nas Industrias do Vestuário no Estado de São Paulo