Mauricio
Dias,
em
sua
Rosa
dos
Ventos,
agudamente
avisou,
faz
duas
semanas,
que
a
divergência
quanto
à
correta
interpretação
do
papel
do
Estado
nos
domínios
econômicos
acabaria
por
excitar
cada
vez
mais
o
debate
eleitoral.
Pois
a
questão
está
posta,
e
ganha
tons
exasperados,
e
até
anacrônicos,
na
convicção
medieval
de
que
aos
barões
cabe
a
propriedade
de
tudo.
Nesta
edição,
o
confronto
já
esboçado
está
na
capa.
Aqui
me
agrada
recordar
certas,
fundamentais
circunstâncias
em
que
se
deram
as
privatizações
celebradas
como
trunfo
do
governo
de
Fernando
Henrique
Cardoso,
entre
elas,
em
primeiro
lugar,
o
desmantelamento
da
velha
Telebrás,
leiloada
para
uma
plateia
de
barões
à
sombra
do
martelo
de
um
punhado
de
extraordinários
leiloeiros.
Final
de
1998,
FHC
já
reeleito,
mas
ainda
não
empossado,
para
o
segundo
mandato.
Operação
entregue
aos
cuidados
do
então
ministro
das
Comunicações,
Luiz
Carlos
Mendonça
de
Barros,
de
André
Lara
Resende,
presidente
do
BNDES,
de
Ricardo
Sergio
de
Oliveira,
diretor
do
Banco
do
Brasil.
Entre
outros
menos
qualificados.
Grampos
variados
acabaram
por
revelar
o
pano
de
fundo
de
uma
bandalheira
sem
precedentes
na
história
pátria.
Foi
uma
orgia
de
fitas.
Em
sua
reportagem
de
capa
da
edição
de
25
de
novembro
de
1998,
CartaCapital
dizia:
"Fala-se
em
27,
mas
certeza
só
tem
quem
participou
dos
grampos".
Ilegais,
obviamente,
e
desde
o
início
do
ano
destinados
a
ouvir
as
conversas
do
próprio
Luiz
Carlos
Mendonça
de
Barros,
que
ainda
estava
na
presidência
do
BNDES.
O
que
movia
os
grampeadores,
adversários
de
Mendonção,
era
buscar
as
razões
da
vertiginosa
ascensão
da
Link
Corretora
de
Mercadorias
Ltda.,
dos
filhos
do
grampeado:
em
quatro
meses
de
atividade
tornara-se
a
terceira
operadora
no
ranking
do
Índice
Bovespa
Futuro.
"Cerca
de
40%
desse
índice
–
sublinhava
CartaCapital
–
era
composto
por
ações
da
Telebrás,
empresa
sob
o
comando
do
presidente
do
BNDES."
O
cerco
a
Mendonção
prosseguiu
mesmo
quando
ele
se
mudou
para
o
Ministério
das
Comunicações,
e
ali,
no
seu
gabinete,
as
gravações
mais
significativas,
relativas
ao
leilão
da
Telebrás,
foram
executadas
entre
21
de
julho
e
21
de
agosto
de
98.
O
próprio
governo,
pego
no
contrapé,
cuidou
de
divulgar
uma
versão
da
fitalhada,
com
cópias
generosamente
fornecidas
às
semanais
Veja
e
Época.
Cópias
amplamente
manipuladas,
para
provar
a
lisura
dos
comportamentos
das
figuras
governistas
chamadas
a
conduzir
a
privatização
do
sistema.
Ocorre
que
outros
ouvidos
entraram
em
cena,
e
tiveram
acesso
a
largos
trechos
cancelados
nas
versões
oficiais.
Os
ouvidos
de
Luiz
Gonzaga
Belluzzo
e
do
acima
assinado,
que
participaram
de
uma
audição
especial,
e
do
então
redator-chefe,
Bob
Fernandes,
privilegiado
em
outra
ocasião.
Cito
algumas
passagens
edificantes,
que
não
figuravam
nos
textos
de
Veja
e
Época.
De
Mendonção
para
o
irmão
José
Roberto:
"O
negócio
tá
na
nossa
mão,
sabe
por
quê,
Beto?
Se
controla
o
dinheiro,
o
consórcio.
Se
faz
aqui
esses
consórcios
borocoxôs
são
todos
feitos
aqui.
O
Pio
(Borges,
vice-presidente
do
BNDES)
levanta
e
depois
dá
a
rasteira".
De
Mendonção
para
André
Lara
Resende,
novo
presidente
do
BNDES:
"Temos
de
fazer
os
italianos
na
marra
(Telecom
Italia)
que
estão
com
o
Opportunity
(...)
fala
para
o
Pio
que
vamos
fechar
(os
consórcios)
daquele
jeito
que
só
nós
sabemos
fazer".
De
André
Lara
Resende
para
Persio
Arida,
sócio
de
Daniel
Dantas
no
Opportunity:
"Vá
lá
e
negocia,
joga
o
preço
para
baixo,
depois,
na
hora,
se
precisar,
a
gente
sobe
e
ultrapassa
o
limite".
As
pressões
chegam
ao
clímax,
e
Mendonção
propõe:
"Temos
que
falar
com
o
presidente".
E
Resende:
"Isso
seria
usar
a
bomba
atômica!"
E
ele
a
usa:
"Precisamos
convencer
a
Previ",
recomenda
a
FHC.
A
Previ
poderia
prestar-se
ao
jogo,
como
se
prestou
no
caso
da
privatização
da
Vale
do
Rio
Doce.
O
fundo,
contava
Carta-Capital
na
reportagem
de
capa
assinada
por
Bob
Fernandes,
"parecia
compor-se
com
o
grupo
capitaneado
por
Antonio
Ermírio
de
Moraes,
à
última
hora
bandeou-se
para
a
nau
pilotada
por
Benjamin
Steinbruch".
Na
manobra
para
enredar
a
Previ
no
caso
do
leilão
da
Telebrás,
foi
decisiva,
segundo
os
trechos
omitidos
das
versões
oficiais,
a
pronta
colaboração
de
Ricardo
Sergio,
o
diretor
do
Banco
do
Brasil.
Tal
é
o
bastidor
das
privatizações
à
moda
nativa,
ou
melhor,
tucana.
Ou
fernandista,
se
quiserem.
A
trupe
dos
privatizadores
abandonou
a
ribalta
faz
bom
tempo,
mas
não
é
arriscado
imaginar
que
viva
dias
pacatos.
O
mais
ostensivo,
no
seu
bem-bom,
é
André
Lara
Resende,
hoje
dono
de
uma
quinta
Publicado
em
Carta
Capital
26/02/2010
13:12:37
(editorial)
Fetivesp - Federação dos Trabalhadores nas Industrias do Vestuário no Estado de São Paulo