Por
Alon
Feuerwerker,
No
Correio
Braziliense
É
divertido
assistir
ao
PSDB
reclamar
dia
sim
outro
também
contra
a
antecipação
da
campanha.
A
diversão
fica
por
conta
de
um
detalhe:
no
poder,
o
PT
não
cometeu
casuísmos,
não
alterou
uma
vírgula
das
leis
eleitorais
para
beneficiar-se.
Nem
precisou.
Se
o
partido
situacionista
colhe
os
frutos
de
um
arcabouço
deformado
e
injusto,
moldado
para
favorecer
o
continuísmo,
deve
gratidão
especial
ao
PSDB,
o
verdadeiro
pai
da
criança.
A
começar
da
reeleição.
Qual
é
a
história
dela
entre
nós?
Depois
do
impeachment
de
Fernando
Collor,
a
revisão
constitucional
acabou
Mas
vieram
o
Plano
Real
e
a
invencível
candidatura
de
Fernando
Henrique
Cardoso.
Instalados
no
Planalto,
os
tucanos
trataram
de
continuar
ali
mais
um
quadriênio,
com
regras
curiosas.
O
ocupante
do
Executivo
pode
pleitear
um
tempo
extra
na
cadeira,
sem
precisar
sair
dela.
Já
quem
o
desafia
é
obrigado
a
desincompatibilizar-se.
O
mesmo
vale
para
vereadores,
deputados
e
senadores,
que
podem
lutar
por
mais
um
mandato
sem
renunciar.
E
têm
o
privilégio
de
concorrer
com
desafiantes
que
precisam
obrigatoriamente
estar
desligados
da
máquina
estatal.
Não
é
uma
beleza?
Além
disso,
no
poder
os
tucanos
trataram
de
reduzir
os
dias
reservados
à
campanha
eleitoral
no
rádio
e
na
TV.
Quando
essas
maravilhas
foram
incorporadas
à
legislação,
o
PSDB
ocupava
a
Presidência
da
República
e
os
governos
dos
principais
estado,
incluído
o
"Triângulo
das
Bermudas"
da
política
brasileira:
São
Paulo,
Minas
Gerais
e
Rio
de
Janeiro.
Eis
por
que
simplesmente
não
dá
para
levar
a
sério
a
choradeira.
O
sistema
eleitoral
apresenta
deformações?
Sim.
Há
esperança
de
que
o
próximo
governo
tome
a
iniciativa
de
corrigi-las,
para
legar
ao
país
uma
moldura
mais
democrática?
Esperança
remota.
Infelizmente,
o
aperfeiçoamento
institucional
não
é
uma
preocupação
dos
nossos
políticos.
Talvez
porque
lhes
falte
tempo,
ocupados
que
estão
em
espremer
os
miolos
para
encontrar
o
caminho
da
perpetuação.
"Casuísmo"
é
uma
palavra
nascida
nos
anos
70
do
século
passado,
quando
o
regime
militar
alterou
seguidamente
as
regras
eleitorais
para
tentar
evitar
a
chegada
da
oposição
ao
poder.
No
fim
deu
errado,
porque
o
PMDB
acabou
derrotando
o
governo,
mesmo
com
todos
os
truques.
Na
política,
nada
resiste
à
força
da
maioria.
Pode
levar
um
tempo,
mas
ela
acaba
prevalecendo.
Qual
é
o
problema
atual
da
oposição
brasileira?
É
exatamente
construir
uma
nova
maioria.
Ou
então,
por
inércia,
as
urnas
acabarão
referendando
a
maioria
que
existe,
e
que
sustenta
o
governo
Lula.
Como
a
oposição
não
parece
ter
a
mínima
ideia
de
por
onde
começar
a
tarefa,
recorre
ao
formalismo.
Sim,
Lula
está
loucamente
em
campanha
"informal"
por
Dilma
Rousseff,
inaugurando
qualquer
rascunho
de
obra
e
falando
bem
de
si
próprio
todo
dia.
E
os
líderes
da
oposição,
estão
fazendo
o
quê?
A
mesma
coisa.
Apenas,
talvez,
com
menos
competência.
Pesquisas
Em
nenhum
outro
país
as
pesquisas
eleitorais
consomem
o
tanto
de
imprensa
que
lhes
é
dedicado
no
Brasil.
Deve
haver
alguma
explicação.
Uma,
conspiratória,
é
que
enquanto
se
discutem
as
pesquisas
não
se
discute
o
essencial:
o
que
cada
candidato
quer
fazer
no
governo.
O
cenário
eleitoral
no
Brasil
é
curioso.
Para
boa
parte
do
eleitorado
potencial
da
oposição
-
e
da
base
social
desta
-,
o
ideal
a
partir
de
2011
seria
um
governo
igualzinho
ao
de
Lula,
só
que
sem
o
PT.
Nem
é
por
resistência
aos
programas
sociais,
hoje
consensuais
por
convicção
ou
conveniência.
É
mais
por
causa
da
dúvida
sobre
os
reais
compromissos
estratégicos
do
partido
com
a
democracia
representativa
e
a
economia
de
mercado.
E
não
necessariamente
nessa
ordem.
Daí
por
que
o
nome
de
Henrique
Meirelles
pode
agregar
valor
eleitoral
a
Dilma.
Ele
traria
eventualmente
também
algum
desgaste,
caso
a
oposição
decidisse
colocar
em
debate
o
modelo
econômico
de
escravidão
financeira,
farra
cambial
e
baixo
crescimento.
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