Por
Antônio
Augusto
de
Queiroz*
As
centrais
sindicais
ganharam
uma
dimensão
política
e
social,
especialmente
depois
da
regulamentação,
que
todos
reconhecem
sua
importância
estratégica
em
defesa
dos
trabalhadores,
no
fortalecimento
dos
movimentos
sociais
e
da
democracia.
A
partir
de
2004,
com
a
unidade
de
ação
das
centrais
sindicais,
já
foram
realizadas
seis
marchas
da
classe
trabalhadora
a
Brasília
-
sempre
com
uma
pauta
de
interesse
da
sociedade
e
dos
assalariados
e
a
participação
efetiva
dos
trabalhadores,
servidores,
aposentados
etc
-
que
resultaram
em
ganhos
significativos,
como
o
aumento
real
do
salário
mínimo
e
dos
benefícios
previdenciários,
a
correção
da
tabela
do
imposto
de
renda,
bem
como
a
ampliação
das
faixas
de
contribuição
sem
aumento
de
alíquota,
entre
outros.
O
espaço
conquistado
com
a
regulamentação,
que
garante
a
participação
institucional
em
fóruns
e
órgãos
colegiados
na
esfera
federal,
ampliou
ainda
mais
o
papel
desses
instrumentos
de
luta
dos
trabalhadores.
E
a
experiência
de
governança
participativa
tem
sido
interessante
e
proveitosa
para
todos,
porque
assegura
maior
aderência
e
lealdade
às
políticas
públicas
elaboradas
com
a
participação
dos
interessados,
o
que
traz
legitimidade
e
segurança
jurídica.
Entretanto,
uma
das
principais
fontes
de
receita
das
centrais
-
que
garantem
orçamento
para
cobrir
as
despesas
com
formação,
mobilização,
assessoria
profissionalizada
e
divulgação
das
ações
e
publicações
-
estão
ameaçadas
pela
Ação
Direta
de
Inconstitucionalidade
(Adin)
apresentada
pelo
DEM
(ex-PFL),
que
questiona
a
participação
das
centrais
no
rateio
da
contribuição
sindical.
Essa
contribuição,
quando
de
sua
instituição
em
2008,
foi
aprovada
por
unanimidade
no
Senado,
inclusive
com
o
voto
do
DEM,
mas
como
dinheiro
em
poder
das
centrais
ajuda
a
elevar
a
consciência
política
dos
trabalhadores,
as
forças
conservadoras
resolveram
tentar
impedir,
via
judicial,
que
as
centrais
tenham
acesso
aos
recursos
da
contribuição
sindical.
Sem
prejuízo
da
busca
de
fontes
alternativas,
que
torne
sustentável
as
finanças
das
centrais,
é
importante
que
os
cidadãos
saibam
que
papel
exercem
essas
entidades
e
porque
as
forças
conservadoras
as
querem
sem
recursos.
Por
tudo
isto,
é
fundamental
que
as
centrais
tenham
orçamento
compatível
com
suas
necessidades.
Assim,
a
eventual
suspensão,
sem
outra
que
a
substitua
de
imediato,
seria
um
golpe
sobre
as
finanças
das
entidades,
que,
como
já
dito,
utiliza
esses
recursos
no
processo
de
organização,
formação
e
mobilização
dos
trabalhadores
brasileiros.
Pode-se
até
não
concordar
com
essa
ou
aquela
fonte
de
custeio,
mas
o
fato
é
que
as
centrais
-
que
exercem
uma
função
de
interesse
público,
porque
representa
o
conjunto
dos
trabalhadores
-
não
podem
nem
devem
ficar
sem
a
garantia
de
financiamento,
inclusive
porque
a
participação
de
seus
representantes
nos
órgãos
colegiados
são
honoríficas.
Se
os
partidos
políticos
recebem
recursos
públicos,
a
imprensa
é
imune
a
tributos,
e
as
entidades
sindicais
e
empresariais
recebem
recursos
para-fiscais,
porque
as
centrais
não
poderiam
receber?
O
papel
estratégico
das
centrais
não
pode
ficar
refém
das
forças
conservadoras,
daí
a
importância,
necessidade
e
urgência
da
busca
de
alternativas.
Que
nos
mobilizemos
para
assegurar
essa
fonte
de
recursos
até
que
se
construa,
com
a
urgência
e
importância
que
o
tema
requer,
uma
alternativa
sustentável
já
a
partir
de
2011.
Fetivesp - Federação dos Trabalhadores nas Industrias do Vestuário no Estado de São Paulo