Por
Carl
Lindskoog*,
Nas
horas
seguintes
ao
terremoto
que
devastou
o
Haiti,
CNN,
New
York
Times
e
outras
importantes
agências
de
notícias
adotaram
a
mesma
interpretação
para
a
grave
destruição:
o
terremoto
de
7
graus
foi
tão
devastador
porque
atingiu
uma
zona
urbana
extremamente
povoada
e
pobre.
Casas
"construídas
umas
em
cima
de
outras"
e
feitas
pelo
próprio
povo
pobre
fizeram
da
cidade
um
local
frágil.
Os
muitos
anos
de
subdesenvolvimento
e
caos
político
do
país
fizeram
com
que
o
governo
haitiano
estivesse
mal
preparado
para
responder
a
um
desastre
desse
tipo.
É
verdade.
Mas
essa
não
é
toda
a
história.
O
que
falta
é
uma
explicação
do
motivo
de
existirem
tantos
haitianos
vivendo
dentro
e
nos
arredores
de
Porto
Príncipe
e
de
tantos
deles
serem
forçados
a
sobreviver
com
tão
pouco.
Na
verdade,
até
quando
uma
explicação
é
dada,
muitas
vezes
é
escandalosamente
falsa,
como
o
depoimento
de
um
ex-diplomata
norte-americano
à
CNN
dizendo
que
a
superpopulação
de
Porto
Príncipe
estava
prevista
pelo
fato
de
que
haitianos,
como
a
maioria
no
Terceiro
Mundo,
não
sabem
nada
sobre
controle
de
natalidade.
Pode
assustar
os
norte-americanos,
famintos
por
notícias,
saber
que
essas
condições
que
a
mídia
atribui
corretamente
ao
aumento
do
impacto
deste
tremendo
desastre
foi
em
grande
parte
produto
da
política
de
Washington
e
seu
modelo
de
desenvolvimento.
De
Depois
de
sua
morte,
o
filho
de
Duvalier,
Jean-Claude
"Baby
Doc",
tornou-se
presidente
vitalício
aos
19
anos
de
idade
e
governou
o
Haiti
até
que
finalmente
foi
derrubado
em
1986.
Foi
nas
décadas
de
1970
e
1980
que
Baby
Doc,
o
governo
dos
EUA
e
a
comunidade
empresarial
trabalharam
juntos
para
colocar
o
Haiti
e
a
capital
do
país
nos
trilhos.
Depois
da
posse
de
Baby
Doc,
planejadores
norte-americanos
dentro
e
fora
do
governo
iniciaram
seus
planos
de
transformar
o
Haiti
na
"Taiwan
do
Caribe".
Este
pequeno
e
pobre
país
situado
convenientemente
perto
dos
EUA
foi
instruído
a
abandonar
o
passado
agrícola
e
a
desenvolver
um
forte
setor
industrial
de
exportação
orientada.
Ao
presidente
e
seus
aliados,
foi
dito
que
este
era
o
caminho
para
a
modernização
e
o
desenvolvimento
econômico.
Planos
da
Usaid
Do
ponto
de
vista
do
Banco
Mundial
e
da
Agência
para
Desenvolvimento
Internacional
dos
EUA
(Usaid),
o
Haiti
era
um
candidato
perfeito
para
uma
reforma
neoliberal.
A
pobreza
enraizada
do
povo
haitiano
poderia
ser
usada
para
forçá-lo
a
trabalhar
por
baixos
salários
costurando
bolas
de
beisebol
e
montando
outros
produtos.
Mas
a
Usaid
também
tinha
planos
para
a
zona
rural.
Não
eram
somente
as
cidades
que
se
tornariam
bases
de
exportação,
mas
também
o
campo,
com
a
agricultura
haitiana
reformulada
com
as
linhas
de
exportação
orientada
e
produção
baseada
no
mercado.
Para
realizar
isso,
a
Usaid,
ao
lado
de
industriais
urbanos
e
grandes
proprietários,
trabalhou
para
criar
instalações
de
agroprocessamento,
mesmo
enquanto
eles
aumentavam
a
prática
de
dumping
para
produtos
agrícolas
excedentes
dos
Estados
Unidos
ao
povo
haitiano.
Essa
"ajuda"
dos
norte-americanos,
juntamente
com
mudanças
estruturais
no
campo
de
maneira
previsível,
forçaram
os
camponeses
haitianos
que
não
poderiam
sobreviver
ali
a
migrar
para
as
cidades,
especialmente
para
Porto
Príncipe,
onde
os
novos
trabalhos
na
indústria
supostamente
estariam.
No
entanto,
quando
eles
chegaram
lá,
não
encontraram
emprego
suficiente
para
todos
na
indústria.
A
cidade
ficou
cada
vez
mais
lotada.
As
favelas
se
expandiram.
E
para
satisfazer
a
necessidade
de
habitação
de
camponeses
desalojados,
casas
foram
sendo
erguidas
rapidamente
e
a
um
preço
mais
baixo,
algumas
vezes
"umas
em
cima
das
outras".
Muito
tempo
atrás,
porém,
planejadores
norte-americanos
e
elites
haitianas
decidiram
que
talvez
seu
modelo
de
desenvolvimento
não
funcionaria
tão
bem
no
Haiti,
e
o
abandonaram.
No
entanto,
as
consequências
dessas
mudanças
lideradas
pelos
norte-americanos
continuam.
Na
tarde
e
noite
de
12
de
janeiro
de
2010,
quando
o
Haiti
vivenciou
o
terrível
terremoto,
depois
do
abalo
não
havia
dúvidas
que
a
destruição
foi
profundamente
agravada
pela
real
superpopulação
e
pobreza
de
Porto
Príncipe
e
arredores.
Mas
os
norte-americanos
chocados
podem
fazer
mais
que
balançar
a
cabeça
e,
com
piedade,
fazer
uma
doação.
Eles
podem
confrontar
a
responsabilidade
do
seu
próprio
país
pelas
condições
de
Porto
Príncipe
que
aumentaram
o
impacto
do
terremoto,
e
admitir
o
papel
dos
EUA
de
impedir
o
Haiti
de
alcançar
um
desenvolvimento
significativo.
Aceitar
a
história
incompleta
do
Haiti
oferecida
pela
CNN
e
pelo
The
New
York
Times
é
culpar
os
haitianos
por
terem
sido
vítimas
de
um
esquema
que
não
foi
criado
por
eles.
Como
John
Milton
escreveu,
"eles,
que
tiraram
os
olhos
das
pessoas,
são
aqueles
que
as
reprovam
por
sua
cegueira".
Fetivesp - Federação dos Trabalhadores nas Industrias do Vestuário no Estado de São Paulo